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title: &quot;Adeus a Fernando Brant&quot;
url: https://mercadocomum.com/adeus_a_fernando_brant/
author: Nome do Admin
date: 2015-07-24T00:00:00-03:00
categories: [Obituário, z_impresso]
tags: []
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# Adeus a Fernando Brant

Fernando Brant foi um dos fundadores de MercadoComum e atuou como membro de seu Conselho Consultivo desde o seu início, há 22 anos. Ele faleceu, aos 68 anos, um dos mais importantes letristas brasileiros, Fernando Rocha Brant. Nascido em Caldas (MG), em 9 de outubro de 1946, teve uma vida prolífica, sendo reconhecido por seu talento, carisma e sensibilidade. Filho de pais mineiros, aos cinco anos mudou-se para Diamantina. Aos 10, chegou a [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/). Na capital, estudou no Grupo Barão do Rio Branco, no Colégio Arnaldo, no Estadual Central e no recém-criado colégio técnico da Universidade Federal de Minas Gerais.  Seguindo a escolha profissional do pai, resolveu estudar Direito. Nessa época, conheceu Milton Nascimento, Márcio Borges e aumentou seu envolvimento com música e literatura. Ainda dessa época, conseguiu seu primeiro emprego, como escrivão do Juizado de Menores. Em 1967, Milton Nascimento convenceu Brant a escrever sua primeira letra, para a canção que viria a se chamar “Travessia”. A composição ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, mas conquistou o Brasil, lançou Milton para o sucesso e se tornou um clássico da MPB.  Em 1969, Brant conseguiu trabalho como jornalista da revista “O Cruzeiro”. Nesse mesmo ano, juntamente com seus amigos, começaram a articular, em [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), o movimento que se tornaria o Clube da Esquina. A colaboração artística rendeu mais de 200 canções. Foram sucessos como “San Vicente”, “Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)”, “Ponta de Areia”, “Maria, Maria”, “Para Lennon e McCartney”, “Canção da América” e “Nos Bailes da Vida”, entre outras canções.  Considerado o principal letrista de Milton Nascimento, Fernando Brant continuou trabalhando com o artista nas décadas de 1980 e 1990. Brant também foi parceiro de outros importantes nomes da música brasileira, como Lô Borges, Wagner Tiso, Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Tavinho Moura, Sirlan e Paulo Braga.  Brant criou ainda roteiros e letras para balés, teatros e trilhas de filmes nacionais e novelas. Em 2000, criou com Tavinho Moura, o musical “Fogueira do Divino”, para o qual escreveu 20 letras inéditas, que receberam arranjos musicais de Nivaldo Ornellas. Também foi ainda cronista do caderno EM [**Cultura**](https://mercadocomum.com/cultura_/) do jornal Estado de Minas até 2014. Suas crônicas, sobre política, literatura, música e até mesmo sobre sua vida pessoal, foram reunidos no livro “Clube dos Gambás”, publicado pela editora Record.  Em 2012, foi diagnosticado com câncer no fígado e se submeteu a uma cirurgia para retirada do tumor.  Novos tumores foram descobertos em 2015. Fernando Brant faleceu no dia 12 de junho de 2015, em decorrência de complicações após a segunda cirurgia de transplante de fígado.  Casado com Leise Brant, o jornalista, compositor e escritor deixa as filhas Izabel e Ana Luiza, o filho adotivo Diógenes e dois netos.