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title: &quot;Entrevista José Tadeu de Moraes&quot;
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author: Nome do Admin
date: 2011-10-03T00:00:00-03:00
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# Entrevista José Tadeu de Moraes

**Presidente do Conselho de Sustentabilidade e Responsabilidade Social da FIEMG**

 **É a oitava edição do Seminário de Responsabilidade Social da FIEMG. O que mudou nestes anos? O empresariado  
amadureceu?**  
Houve uma clara evolução. Para nós, tudo era muito novo, e a evolução foi baseada na conscientização, no entendimento  
da importância da sustentabilidade. No início, pensávamos no assunto de forma ainda restrita ao meio ambiente. O trabalho passou a ser feito visando não só visando a questão ambiental, mas hoje percebemos que a sustentabilidade tem uma abrangência muito maior. Na ética, as questões culturais e a governança passaram a integrar o tema, havendo uma importante evolução. Os convidados internacionais têm percebido isso. Eles não esperavam tamanha profundidade, abrangência e entendimento como o que viram aqui. Isso mostra que estamos no caminho certo.

 **O crescimento econômico vivido pelo país nos últimos anos, com a ascensão das classes C, D e E favoreceu de alguma  
forma as empresas a cumprirem alguns objetivos?**  
Certamente. Uma coisa está muito associada à outra. O desenvolvimento econômico é uma forma de incentivar a sustentabilidade. Quando se tem que cumprir outras necessidades básicas, como em alguns países mais pobres, é mais  
complicado, porque é preciso primeiro sobreviver, se alimentar. É preciso ver que parte do investimento tem que ser direcionado para que o negócio tenha um perfil sustentável, que seja direcionado em parte para o desenvolvimento social.

 **A cooperação dos governos tem sido suficiente Como tem sido o diálogo do empresariado com o setor público?**  
Podemos dar o exemplo de Minas. Trabalhamos em uma sociedade organizada, a Federação das Indústrias, mas é preciso  
ter o Poder Público também. Temos um diálogo importante com todos os setores do governo, que entendem isso, a  
importância desse investimento. Em alguns lugares, a atuação empresarial é dificultada, muitas vezes por razões ideológicas. Há um diálogo aberto que tem facilitado esse trabalho. Há um bom exemplo que foi o do Disque Denúncia, que foi uma iniciativa proposta pelo empresariado, a partir do Conselho Estratégico da FIEMG, que reúne os presidentes das principais empresas. O problema da segurança foi um dos que trouxeram mais preocupações. Assim, levamos a ideia e ajudamos a criar o Instituto Minas pela Paz, que nasceu da parceria entre o Poder Público e as empresas. Também estamos no princípio de um projeto de educação que será desenvolvido com a Prefeitura de [**Belo Horizonte**](https://mercadocomum.com/belo_horizonte_/), nas escolas públicas da cidade. Precisamos contribuir para melhorar o desempenho escolar, até porque há uma necessidade clara de qualificação dos futuros profissionais. Isso é também é sustentabilidade.

 **A economia mineira e a indústria de forma geral ainda é vista como muito commoditizada, principalmente nos segmentos  
mineral e siderúrgico. As empresas estão preparadas para este momento de redução da atividade econômica**  
Eu acho que não vai haver mudança de postura em relação à busca pela sustentabilidade. A crise de 2009 foi significativamente mais profunda e não causou grandes feridas. As empresas saíram muito mais fortalecidas. Foi um fator motivador para que as empresas continuassem investindo.

 **Há alguns anos, foi divulgada uma pesquisa que afirmava que cerca de 70% das empresas mineiras investem em ações de  
responsabilidade social. O Censo do Terceiro Setor, realizado há cinco anos pelo Centro de Apoio ao Terceiro Setor do  
Ministério Público Federal – CAOTS-MG também mostrou uma grande força do setor no Estado. Por que o empresário  
mineiro tem essa consciência mais apurada**  
Acho que foi um trabalho bem iniciado, por um grupo de pessoas que tinham um ideal, e foi ganhando adeptos, crescendo  
até um ponto que ficou difícil parar. Os próprios resultados advindos desse movimento, que geram cada vez mais resultados positivos, ajudam a motivar as empresas. Bons resultados geram bons resultados. Associado a isso, ninguém faz nada sozinho. Governo e empresas resolveram arregaçar as mangas e trabalhar em cooperação. Há também a questão da desigualdade social no Estado, mas principalmente há a vontade do povo mineiro de trabalhar, se desenvolver e fazer as coisas bem feitas, gerando frutos e benefícios para os mineiros.