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title: "A estridência dos penduricalhos"
url: https://mercadocomum.com/a-estridencia-dos-penduricalhos/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2026-04-25T18:12:32-03:00
categories: [Opinião]
tags: [A estridência dos penduricalhos, Cesar Vanucci]
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# A estridência dos penduricalhos

**Cesar Vanucci***

 *“A moralidade pública é lesada quando o privilégio se fantasia de norma legal.” (Domingos Justino Pinto, educador)*

 Os estridentes “penduricalhos milionários” não são de agora. Remontam a várias décadas, abrangendo um espaço de tempo bastante dilargado e vindo à baila vez por outra, como ocorre presentemente. A perduração dessas vantagens pecuniárias demonstra a força corporativa de segmentos burocráticos acostumados a driblarem, escandalosamente, regras em benefício próprio. Esses agentes são conhecidos popularmente como “marajás”.

 A Constituição Federal estipula um teto remuneratório para o serviço público. Este, porém, é descerimoniosamente sobrepujado por algumas poucas categorias por meio de artifícios jurídicos e normas regimentais artificialmente instituídas.

 Volta e meia, a momentosa questão frequenta as manchetes, ensejando compreensíveis críticas e levando as autoridades competentes a tentativas de explicação a propósito do inexplicável. Pululam, nessa hora, sugestões, propostas e fórmulas engenhosas para se pôr cobro à anômala situação.

 Ainda outro dia, no desfecho de bem-intencionadas negociações pertinentes à questão, ganhou forma uma proposta por muitos recebida como marota. Ao invés de uma decisão ordenando o respeito rigoroso ao preceito constitucional, o que se concebeu — à guisa de “acerto provisório” até que o Congresso examine uma fórmula definitiva — foi a elevação do teto salarial do nível atual de R$ 46 mil para R$ 75 mil. Ora, veja só!

 A opinião pública não escondeu sua perplexidade ao saber que, entre beneficiários do fajuto esquema, surgiram vozes de protesto contra a insólita proposta. Uma desembargadora do TJ do Pará, que recebe um holerite de R$ 107 mil, ousou vir a público para dizer que a “perseguição” feita à magistratura lembra o “tempo da escravidão”.

 Tem-se por certo que a juíza não representa a grande maioria da classe. Mas não se pode deixar de comentar que tal comparação, além de ultrajante, revela um descolamento absoluto da realidade. Insulta os brasileiros que lutam diariamente com o salário-mínimo para sobreviver.

 Essa desconexão com o sentimento popular é o que mais agride a ética democrática. Enquanto o País discute cortes de gastos, ajustes fiscais e reformas que pesam sobre os contribuintes, uma elite encastelada em interpretações jurídicas cria um universo paralelo de ganhos.

 O argumento das “verbas indenizatórias” tornou-se o duto por onde escoa a moralidade administrativa, permitindo que auxílios de toda sorte — moradia, alimentação, saúde e educação — se somem ao subsídio principal, transformando o teto em ficção jurídica. O que se espera das instituições, em momentos de crise e desigualdade acentuada, é o exemplo. No entanto, o que se vê são atos corporativos que ignoram o clamor das ruas.

 *Jornalista ([cantonius1@gmail.com.br](mailto:cantonius1@gmail.com.br))

 *“****Os artigos publicados nesta edição são de responsabilidade exclusiva dos autores e não expressam, necessariamente, a opinião dos editores da publicação.***

 

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