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title: &quot;Sequestro de dados: Brasil já é o quinto país do ranking do cibercrime&quot;
url: https://mercadocomum.com/sequestro-de-dados-brasil-ja-e-o-quinto-pais-do-ranking-do-cibercrime/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-10-14T18:56:48-03:00
categories: [Destaques do Mundo Empresarial]
tags: [Sequestro de dados: Brasil já é o quinto país do ranking do cibercrime]
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# Sequestro de dados: Brasil já é o quinto país do ranking do cibercrime

[![Sequestro de dados: Brasil já é o quinto país do ranking do cibercrime](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/10/Sequestro-de-dados-Brasil-ja-e-o-quinto-pai?s-do-ranking-do-cibercrime-300x142.png)](https://www.mercadocomum.com/)Sequestro de dados: Brasil já é o quinto país do ranking do cibercrime ***Ataques como o que paralisou parte da RecordTV causam prejuízos milionários; saiba como agir para se proteger***

 Num passado recente, o lugar mais protegido de uma empresa era a sala-cofre, local destinado a armazenar itens valiosos e documentos importantes. Hoje, a maior preocupação das companhias é proteger o ambiente virtual, onde estão todos os dados informatizados que, em caso de perda, podem até parar totalmente a operação da empresa. Esse temor tem fundamento: os crimes digitais não param de crescer e há mais de um ano o Brasil figura entre os cinco países com mais casos de sequestro de dados no mundo. Segundo estudo da consultoria alemã Roland Berger, o cibercrime em terras nacionais só é superado por Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e África do Sul.

 O cenário não é nada animador: o sequestro de dados cresceu 92% no Brasil em 2021, segundo a Avast, empresa especializada em segurança digital. No último sábado, o tema voltou ao noticiário com sequestro de dados da **RecordTV**. Segundo a imprensa, criminosos acessaram os servidores da emissora e mudaram as senhas. Os colaboradores ficaram impedidos de acessar todo o acervo de gravações, e-mails e até o monitoramento de audiência. Reportagens de sites especializados em tecnologia, citando fontes da emissora, informam que a Record foi alvo de um ransomware conhecido como BlackCat, que infecta o sistema por meio phishing, que são os e-mails com links maliciosos que abrem a porta para a entrada dos invasores.

 ***Cibercrime cresceu 92% no Brasil no ano passado. Maior risco é a falha humana.***

 O especialista em infraestrutura de TI da Logithink, Fernando Rigoleto, explica que os criminosos também se aproveitam de dados vazados de outras empresas para cometer o crime. **“Tivemos notícia recente de megavazamentos de dados pessoais de mais de 200 milhões de brasileiros. Com esses dados, os hackers identificam senhas de acesso a e-mails de trabalho e por ali podem entrar sem precisar ‘arrombar a fechadura’. Uma vez dentro do sistema podem ficar dias, silenciosamente, estudando as falhas de segurança para acessar dados sigilosos. Quando conseguem entrar, mudam a senha e impedem que os verdadeiros donos acessem os sistemas, ou criptografam os dados, o que faz com que a empresa continue vendo tudo, mas em caracteres truncados, impossíveis de serem lidos ou interpretados pelos programas”**, explica.

 Uma semana antes um ataque semelhante teve como alvo a TV Globo, mas o sistema de defesa em camadas detectou a entrada do hacker logo no primeiro acesso e impediu que ele avançasse além da porta de entrada.

 **Seus dados estão seguros?**

 Nenhum tipo de sistema é 100% seguro, mas segundo Rigoleto, é possível minimizar os riscos e o impacto de um ataque à operação da empresa. **“É como se o hacker jogasse contra as defesas do sistema. Ele vai atacando de diversas formas até encontrar uma brecha. Quando encontra e perfura essa camada de proteção, soa o alerta do desenvolvedor, que faz a correção dessa falha e publica uma atualização do programa”**, detalha Rigoleto. **“Por isso é importante fazer as atualizações imediatamente. É como tomar a vacina antes que o vírus chegue ao seu servidor. A gestão do ambiente virtual precisa ter informação, planejamento e monitoramento”**, enumera.

 **[**Cultura**](https://mercadocomum.com/cultura_/) de segurança**

 O especialista detalha as práticas de segurança. **“É preciso formar uma cultura de segurança organizacional. Os colaboradores precisam ser informados e treinados sobre os riscos cibernéticos. Se o funcionário não souber diferenciar um e-mail comum de um phishing, é grande a chance de ser transformado em porta de entrada”**, compara.

 **Monitoramento e senhas**

 A gestão das senhas de acesso ao sistema precisa ser rigorosa. **“Trocas de senha periódicas, monitoramento de acessos por dispositivos externos e análise em tempo real do tráfego de dados que possam indicar comportamento suspeito vindo de uma determinada máquina. Esses monitoramentos permitem responder ao ataque com velocidade”**, ensina.

 

 **Camadas de proteção**

 Critérios rigorosos na distribuição das credenciais de acesso ajudam a criar camadas de segurança adicionais. **“O uso de VPN é uma camada a mais de segurança para o sistema. Para acesso a informações sensíveis é recomendável o uso de mais de uma etapa de verificação”**, recomenda.

 ***[**Cultura**](https://mercadocomum.com/cultura_/) de segurança: se o funcionário sabe onde clica, o risco é quase nulo***

 **Backup e redundância**

 Mas se todos os dispositivos de segurança falharem e a invasão acontecer, recuperar os dados rapidamente é fundamental para evitar prejuízos maiores. Rigoleto recomenda monitorar o backup e manter uma cópia acessível em caso de emergência. “É importante ter o que chamamos de redundância, que é a duplicidade dos dados, mas armazenados em locais diferentes, em nuvem ou mesmo em servidor físico, pois caso os dados principais sejam sequestrados, é possível refazer o sistema rapidamente com a cópia de segurança”.

 Companhias que usam programas customizados precisam proteger os códigos-fonte separadamente. “Com esses códigos-fonte é possível refazer o sistema ou recorrer a versões anteriores para reiniciar a operação até que tudo seja normalizado”, explica.

 **Operar em nuvem é seguro?**

 Os serviços de armazenamento de dados em nuvem devem atingir US$ 500 bilhões de faturamento até dezembro deste ano, segundo dados do Gartner Group. No Brasil, o serviço deve crescer 20% em 2022. Fernando Rigoleto explica que o armazenamento em nuvem é um caminho sem volta, mas que a gestão do ambiente virtual é tão importante quanto a gestão de um servidor físico funcionando nas dependências da empresa.

 ***Fernando Rigoleto é especialista em infraestrutura de TI da Logithink.*** Uma das proteções vem do fato de que os grandes players mundiais do setor possuem dezenas de datacenters espalhados pelo mundo, o que permite manter cópias de segurança armazenados em diferentes locais. “Todos os programas que rodam a partir daquela sala gelada dos servidores na sede da empresa também rodam em nuvem. O armazenamento em nuvem é seguro porque os gigantes do setor possuem as mais modernas e atualizadas ferramentas de proteção contra ataques e invasões, mas a melhor barreira contra o cibercrime é uma gestão que dissemine a cultura de segurança entre toda a equipe. Se todo mundo souber onde clica, dificilmente o hacker vai conseguir entrar”, completa.

 

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