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title: &quot;Inadimplência da carteira de crédito no Brasil soma R$ 92 bilhões, maior desde 2012&quot;
url: https://mercadocomum.com/inadimplencia-da-carteira-de-credito-no-brasil-soma-r-92-bilhoes-maior-desde-2012/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-08-08T11:22:22-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números]
tags: [Guilherme Cortez, Inadimplência da carteira de crédito no Brasil soma R$ 92 bilhões maior desde 2012]
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# Inadimplência da carteira de crédito no Brasil soma R$ 92 bilhões, maior desde 2012

[![Inadimplência da carteira de crédito no Brasil soma R$ 92 bilhões, maior desde 2012](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/08/Inadimplencia-da-carteira-de-credito-no-Brasil-soma-R-92-bilho?es-maior-desde-2012-300x200.png)](https://www.mercadocomum.com/)Inadimplência da carteira de crédito no Brasil soma R$ 92 bilhões, maior desde 2012 ***Segundo Banco Central, de todo dinheiro que empresas e pessoas físicas têm em empréstimos tomados – R$ 4,6 trilhões – 2% se referem a valores não pagos. Credores apostam na tecnologia para reaver esses recursos***

 ***Guilherme Cortez****

 De acordo com o Painel de Operações de Crédito do Banco Central, o país iniciou 2022 com R$ 4,6 trilhões (dados de dezembro de 2021) em carteira de crédito – isto é, o dinheiro que empresas e pessoas físicas têm em empréstimos tomados. Ainda segundo o mesmo levantamento, a taxa de inadimplência equivale a 2% desse montante. Ou seja: as dívidas não pagas referentes à carteira correspondem a R$ 92 bilhões.

 Essa inadimplência registrou ligeiro crescimento, se comparada ao final de 2020, quando, em dezembro daquele ano, estava em 1,86%. Em termos percentuais, a situação é melhor que dez anos atrás, por exemplo, quando essa inadimplência atingiu 3%. Em contrapartida, àquela altura a carteira de crédito pouco passava dos R$ 2 bilhões. Em outras palavras, em cifras absolutas, os R$ 92 bilhões de inadimplência atuais são o maior montante desde 2012, pelo menos.

 Se para quem toma dinheiro emprestado a inadimplência é um problema a resolver, para as instituições credoras reaver esses recursos muitas vezes é um desafio. Primeiro, porque se trata de montantes que precisam retornar ao caixa da empresa credora, a fim de se assegurar a sustentabilidade financeira. Depois, porque nem sempre recuperar o dinheiro emprestado e não devolvido é tarefa das mais fáceis.

 A remessa de valores para paraísos fiscais e o uso de laranjas costumam complicar a retomada dos recursos emprestados e em inadimplência. Por essa razão, instrumentos tecnológicos avançados e metodologias minuciosas entram em cena no trabalho de busca de patrimônio dos devedores, conforme explica o coordenador de investigações Guilherme Cortez, de uma empresa de base tecnológica especializada em inteligência forense – a Leme Inteligência Forense, do Paraná.

 “As estratégias de investigação patrimonial contemporâneas envolvem inteligência artificial e automatização para cruzamento de dados e informações. Por exemplo, dados do próprio inadimplente, e entre os do inadimplente e seu círculo familiar e de relações. Dessa forma, é possível identificar patrimônios desse inadimplente que são registrados em nome de terceiros. Com essa constatação, abre-se caminho para a empresa credora reaver os recursos”, expõe Guilherme Cortez.

 Os indicadores do trabalho da Leme são um termômetro para medir o quanto a inteligência forense de base tecnológica vem sendo procurada por grandes instituições credoras. De 2019 para cá, a carteira de clientes da legaltech vem crescendo em média 10% ao ano, informa o CEO da empresa, Valdo Silveira. Entre 2018 e 2021, a Leme conseguiu localizar mais de R$ 8,1 bilhões de patrimônio de devedores para instituições credoras que contrataram o serviço de investigação inteligente.

 Nesses valores, estão bens encontrados não só no Brasil, como no exterior. Países como Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, e ainda paraísos fiscais como Suíça, Panamá, Luxemburgo, Nova Zelândia, Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Bermudas estão entre os principais destinos desses recursos que buscam ser ocultados dos credores.

 “O trabalho envolve automação e inteligência artificial, mas muita inteligência humana também, para análise dos resultados e encaminhamentos cabíveis, inclusive judiciais. Essa análise é decisiva para a efetividade do trabalho de recuperação de patrimônio”, assinala o coordenador de investigações da Leme.

 ****Coordenador de investigações da LEME Forense***