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title: &quot;Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022&quot;
url: https://mercadocomum.com/ipea-revisa-as-projecoes-do-pib-agropecuario-para-2022/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2022-03-27T14:58:25-03:00
categories: [A Economia com Todas as Letras e Números, Destaques da Edição]
tags: [Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022]
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# Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022

[![Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/03/Ipea-revisa-as-projec?o?es-do-PIB-Agropecuario-para-2022-300x127.png)](https://www.mercadocomum.com/)Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022 ***Estimativa de crescimento do setor passou de 2,8% para 1%***

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 O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou no dia 22 de março último, a revisão da estimativa para o valor adicionado (VA) do setor agropecuário de 2022 de crescimento de 2,8% para uma alta de 1,0%. O principal motivo para o ajuste foi a nova estimativa do Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) de queda de 8,8% da produção de soja. A revisão do valor adicionado da produção vegetal passou de um crescimento de 2,6% para uma queda de 0,3%. Já para a produção animal, a estimativa de crescimento, que era de 3,6%, foi revista para 3,0%, conforme o gráfico abaixo.

 Previsão de variação do VA do setor agropecuário para 2022 por componente **(em %)**

 [![Fonte: IBGE e Grupo de Conjuntura da Dimac](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2022/03/Fonte-IBGE-e-Grupo-de-Conjuntura-da-Dimac-300x187.png)](https://www.mercadocomum.com/)*Fonte: IBGE e Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.*  
*Elaboração: Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea.* O VA para a produção vegetal vem sustentado por um cenário oposto ao encontrado em 2021, tanto para a elevada queda na produção de soja quanto pelas estimativas de crescimento de outras culturas de grande peso, como milho, cana-de-açúcar, café e algodão. No caso da soja, lavoura de maior peso na produção vegetal, os estados do Sul do país, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul, sofreram com forte estiagem no início do ano durante o período crítico de desenvolvimento reprodutivo das plantas. A produtividade estimada para a cultura de soja nesses estados foi fortemente reduzida, com destaque para as produções dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, apresentando quedas de 35,8% e 40,7%, respectivamente.

 

 Por outro lado, outras culturas importantes para a produção vegetal devem compensar essa queda. O IBGE estima crescimento de 23,9% na produção de milho, impulsionada por uma alta de 33,8% na segunda safra, recuperando-se da quebra observada no ano passado. Outra cultura que deve ser destaque é a cana-de-açúcar, que teve estimativa de crescimento de 20,6%. No caso do café, por se tratar do ano positivo de sua bienalidade, a alta de 13,4% não é surpreendente, mas é significativa diante das geadas observadas no ano anterior e que impactaram o desenvolvimento das plantas.

 

 Apesar da forte alta na produção esperada para essas culturas, o estudo ressalta que um possível choque climático adverso que afete essas culturas de forma significativa pode ser suficiente para levar a estimativa de leve crescimento na produção vegetal para o campo negativo. Por outro lado, o trigo é outro segmento que pode ter uma reversão de sua estimativa atual negativa. Dois dos maiores produtores mundiais de trigo são Rússia e Ucrânia e, por conta do atual conflito entre os países, há a chance de uma redução na oferta mundial desse grão, elevando o preço e incentivando o plantio que, com boa produtividade, poderia contribuir positivamente para o VA.

 Já para a produção animal, o Grupo de Conjuntura do Ipea espera uma contribuição positiva dos segmentos de bovinos, suínos e aves. Após dois anos de queda, a expectativa é de que, com uma oferta maior de animais prontos para o abate, a produção de bovinos apresente crescimento de 3,8% no ano. No mesmo sentido, as produções de suínos e aves devem crescer 4,5% e 3,0%, respectivamente. Essas taxas representam uma desaceleração do crescimento em relação ao ano passado, quando esses segmentos cresceram 9,1% e 6%, respectivamente. Um dos motivos que devem contribuir para essa desaceleração do crescimento entre 2021 e 2022 é a redução da demanda chinesa, com a a normalização de seu rebanho suíno após a ocorrência da Peste Suína Africana (PSA).

 

 O documento considera que o maior risco para o VA da produção animal é a redução da demanda por proteínas animais por conta do aumento dos preços e da expectativa de uma atividade econômica pouco aquecida em 2022. A alta dos preços dos grãos e do petróleo no mercado internacional tendem a pressionar os custos do produtor que, para manter a rentabilidade, pode repassar esses aumentos ao consumidor final, impactando negativamente a demanda pelos produtos do segmento.