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title: &quot;Pós-pandemia reserva o caos no transporte público brasileiro&quot;
url: https://mercadocomum.com/pos-pandemia-reserva-o-caos-no-transporte-publico-brasileiro/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2021-06-30T00:05:00-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [Pós-pandemia, Pós-pandemia reserva o caos no transporte público brasileiro, Roberta Marchesi]
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# Pós-pandemia reserva o caos no transporte público brasileiro

[![Roberta Marchesi](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/06/Roberta-Marchesi.png)](https://www.mercadocomum.com/)Roberta Marchesi [![Mercado Comum Publicação Nacional de Economia, Finanças e Negócios](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/05/Captura-de-Tela-2021-05-05-as-20.19.36.png)](https://www.mercadocomum.com/)[**Mercado Comum**](https://mercadocomum.com/?page_id=1719) Publicação Nacional de Economia, Finanças e Negócios **Pós-pandemia reserva o caos no transporte público brasileiro**

 ***Roberta Marchesi********

 Muito se fala sobre transporte ativo, transporte sob demanda, aplicativos, inovações, mas nada disso contribui para a solução do problema da mobilidade em nossas metrópoles se não estiver inserido, nesse contexto, o transporte público e de alta capacidade.

 Esse sistema é a essência da mobilidade. É nele que a grande maioria dos deslocamentos diários acontece e é com base nele que todas as demais aplicações se conectam, formando uma verdadeira rede a serviço do cidadão.

 Atualmente, o transporte público vivencia a maior crise de sua história. A queda abrupta no número de passageiros desde o início da pandemia aliada à necessidade de manutenção da oferta do serviço e ao aumento de despesa com novos procedimentos de higienização e sanitização fez com que grande número de empresas não conseguisse manter a prestação do serviço.

 Ao longo desses 15 meses, o setor soma um prejuízo de mais de R$ 25 bilhões, cifra impressionante que está sendo impossível de ser suportada pelas empresas. Vinte e cinco também é o número de empresas que fecharam as portas, seguidas por diversas outras que suspenderam suas atividades ou sofreram intervenção na operação.

 O número de demissões no setor já se aproxima de 80 mil trabalhadores e os movimentos grevistas deram um salto em todo o País. Até abril, 223 ações protestaram pela falta do pagamento de salários e benefícios, causados pela quebra do caixa das empresas como consequência do desequilíbrio imposto pela forte queda na demanda de passageiros e o atual modelo de remuneração ao qual o setor está exposto.

 **Metade da demanda**

 Já parou para pensar no que acontecerá com nossas metrópoles no futuro, quando o fluxo de passageiros for naturalmente retornando?

 Diariamente, a mídia destaca situações de aglomeração no transporte público e, hoje, o setor opera com apenas 50% da sua demanda. O que imagina que acontecerá quando estivermos com 70% da demanda de volta às ruas e metade do sistema de transporte desmobilizado em função da quebra das empresas?

 O mundo todo enfrenta a mesma pandemia e o transporte público passa pelo mesmo problema. A diferença é que, desde o início, diversos países adotaram medidas específicas ao transporte público, destinando recursos emergenciais para garantir a manutenção das operações. No Brasil, estamos na contramão. Não só não adotamos qualquer medida de proteção ao transporte público como também rechaçamos as iniciativas nesse sentido, como foi o caso do veto presidencial ao Projeto de Lei do socorro emergencial ao setor. Várias ações foram realizadas, com as mais diversas esferas governamentais, mas nenhuma medida específica conseguiu ser implantada.

 **Crise que está por vir**

 Com a infraestrutura de transporte urbano aos frangalhos, o País pagará um alto preço para conseguir se reerguer. E, quando o mundo estiver voltando dessa crise, com a empregabilidade aumentando e as economias avançando, o Brasil, em vez de ir na mesma direção, terá de parar para enfrentar o problema que agora tem negligenciado.

 Se não forem tomadas medidas imediatas, o forte descompasso entre o já previsível aumento na demanda de passageiros e a capacidade de reaquecimento da oferta fará com que o País encare um longo tempo de crise no transporte.

 E, quando isso acontecer, não será apenas com a crise no transporte que teremos que lidar, mas com a crise social que virá junto com ela, porque os movimentos pelo direito ao transporte de qualidade que vimos em 2013 serão apenas boas lembranças perto da situação em que o transporte estará no futuro próximo.

 **Diretora Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Mestre em Economia e Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento, Gestão e Logística.*

 (Os artigos e comentários não representam, necessariamente, a opinião desta publicação; a responsabilidade é do autor do texto).

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