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title: &quot;0,2% dos servidores têm &#8216;supersalário&#8217; e custam R$ 2,6 bi, dobro da verba da CGU&quot;
url: https://mercadocomum.com/02-dos-servidores-tem-supersalario-e-custam-r-26-bi-dobro-da-verba-da-cgu/
author: Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
date: 2021-07-25T16:36:50-03:00
categories: [Destaques da Edição]
tags: [2% dos servidores têm &#039;supersalário&#039; e custam R$ 2, dobro da verba da CGU, supersalário]
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# 0,2% dos servidores têm &#8216;supersalário&#8217; e custam R$ 2,6 bi, dobro da verba da CGU

[![0,2% dos servidores têm &#039;supersalário&#039; e custam R$ 2,6 bi, dobro da verba da CGU](https://www.mercadocomum.com/wp-content/uploads/2021/07/supersalario-300x193.png)](https://www.mercadocomum.com/)0,2% dos servidores têm ‘supersalário’ e custam R$ 2,6 bi, dobro da verba da CGU **0,2% dos servidores têm ‘supersalário’ e custam R$ 2,6 bi, dobro da verba da CGU**

 ***Estudo estima que, com “penduricalhos”, 25 mil funcionários públicos ganham mais do que o teto de R$ 39 mil do serviço público***

 Os [servidores públicos](https://www.cnnbrasil.com.br/tudo-sobre/servidores-publicos) que ganham os chamados “supersalários” – ou seja, aqueles que recebem mais do que o teto do funcionalismo no país, hoje de R$ 39.293,32 – são uma minúscula minoria, mas custam caro. É o que aponta levantamento feito pelo Centro de Liderança Pública (CLP), organização de pesquisa e fortalecimento da gestão pública.

 A partir de análise das pesquisas de mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento do CLP estimou que aqueles que acumulam salário e benefícios mais altos do que o limite constitucional representam apenas 0,23% de todos os funcionários públicos do país.

 É um grupo de 25 mil profissionais dentro de um universo de 11 milhões de trabalhadores ligados aos governos federal, estaduais e municipais. Bancar essa minoria decimal custa R$ 2,6 bilhões aos cofres públicos todos os anos – considerados apenas os valores que eles recebem acima dos R$ 39,2 mil do teto.

 Para se ter ideia, R$ 2,6 bilhões é maior que a verba utilizada pelo **Ministério do Meio Ambiente** no ano passado inteiro (R$ 2,2 bilhões) e mais que o dobro dos recursos anuais da **Controladoria-Geral da União** (R$ 1,01 bilhão em 2020), órgão do governo destinado à investigação e **combate à corrupção****.**

 Não à toa, é esta fatia de beneficiados que está na mira do [“PL dos supersalários”](https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/07/11/relator-retira-do-pl-de-supersalarios-o-adicional-de-1-3-de-ferias-do-judiciario) (PL 6726/2016), projeto de lei que revisa quais benefícios e extras devem passar a ser contabilizados dentro do teto do funcionalismo público ou não. Na gaveta há quase cinco anos, o texto voltou a ser debatido neste ano e entrou para a agenda da **Câmara dos Deputados** para ser votado ainda nesta semana.

 “São pessoas que têm um salário base que, por lei, não pode passar do teto, mas que ganham verbas indenizatórias e todo tipo de remuneração”, disse o economista Daniel Duque, chefe de inteligência técnica do CLP e um dos responsáveis pelo estudo. São gratificações e benefícios que contornam o salário do contrato e que vão de auxílio para alimentação e creche até viagens, licenças e auxílio-moradia.

 R$ 8.500 a mais por ano

 Cada um desses servidores, aponta o levantamento, recebe em média R$ 8.500 acima do teto por ano com esses “penduricalhos”. Em muitos casos, porém, a diferença é bem maior.

 Dados abertos do Ministério Público de São Paulo, por exemplo, também colhidos pela CLP, mostram que o salário base máximo de todos os procuradores do estado é de R$ 35 mil, dentro, portanto, do limite nacional. Os totais efetivamente recebidos em um mês, porém, chegam aos R$ 78 mil, turbinados não só por décimo terceiro e adicional de férias, mas, também, por bonificações acrescidas aos pagamentos.

 Pela Constituição, nenhuma remuneração de servidor público deve ultrapassar o salário bruto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que são os R$ 39.293 em 2021.

 O levantamento da CLP usou como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE.

 20 mil anos para ganhar o mesmo

 Como parte das pesquisas feitas para servir de amparo à votação do PL dos Supersalários, o CLP também lançou nesta segunda-feira (12) uma calculadora que permite aos brasileiros calcularem quanto tempo levariam para chegar a ter o salário máximo do funcionalismo de R$ 39,2 mil, dado seu ritmo histórico de reajustes.

 A conta tem como base o salário e as condições atuais do trabalhador, bem como a progressão média salarial ao longo da vida das pessoas de perfil de renda parecido.

 Outros fatores, como gênero e estado de origem, também influenciam no ritmo de equiparação.

 Um homem paulista que trabalhe há 10 anos no setor privado, por exemplo, e que ganhe R$ 2.532 hoje – o salário médio atual do Brasil, de acordo com o IBGE –, demoraria 20.403 anos para receber os mesmos R$ 39,2 mil do teto do funcionalismos, caso seu ritmo atual de evolução salarial continue o mesmo.

 Uma mulher, com o mesmo salário e nas mesmas condições, demoraria 24.479 anos para alcançar a fronteira dos [supersalários](https://www.mercadocomum.com/). As projeções foram elaboradas e são calculadas com base nos dados de 2019 da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do IBGE.

 “A cada ano o salário daquela pessoa aumenta um pouco, de acordo com o setor em que ela está [público ou privado], o gênero ou o estado”, explica Duque, que também é pesquisador da Fundação Getulio Vargas (**FGV**). “Um cara que ganha R$ 2.500 hoje dificilmente vai progredir até chegar aos R$ 40 mil. Só depois de 20 mil anos de aumentos ele chegará lá.”